quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

11 DE SETEMBRO DE 2001



















Mais de oito anos depois, o 11 de Setembro, os maiores atentados da História, ainda consegue surpreender. Divulgadas ontem, fotografias inéditas da tragédia, que deixou quase 3 mil mortos em 2001, mostram sob um novo ângulo a queda das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, atingidas por dois Boeing sequestrados. As imagens, feitas a partir de helicópteros da polícia nova-iorquina, foram obtidas pela ABC News – a divisão de jornalismo da rede de TV americana ABC – graças à Lei de Liberdade de Informação. A emissora fez o requerimento ao Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST, na sigla em inglês), que reuniu as fotos como parte de sua investigação sobre os ataques terroristas.

A ABC informou ter recebido 2.779 fotografias, armazenadas em nove CDs. Muitas delas, incluindo as publicadas nessa página, nunca haviam sido divulgadas. Doze das fotos foram colocadas no site da ABC e distribuídas pelas agências de notícias. Uma delas mostra um close dos andares superiores das torre em chamas. Em outras, vê-se o colapso das estruturas, em meio a uma espessa fumaça.

zerohora.com


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11 de Setembro de 2001: Um poderoso e terrível ataque terrorista, ocorreu na manhã do dia 11 de Setembro de 2001 (exatamente às 8h48m e 9h03m locais), atingindo as duas torres do maior conjunto comercial do mundo, o World Trade Center, em Nova Iorque, que veio abaixo horas após ter sido parcialmente destruído por duas aeronaves comerciais Boeing 767, com um total de 157 passageiros a bordo. Eles haviam decolado de Boston (às 7h58m com 65 passageiros e às 7h59m com 92 passageiros e ambos com destino a Los Angeles).

Logo em seguida outra aeronave Boeing 757 da American Airlines, que havia decolado às 8h10m do Aeroporto de Dulles em Washington, com destino a Los Angeles, com 64 ocupantes (58 passageiros, 4 comissários e 2 pilotos), atingia em cheio o prédio do Pentágono, destruindo parte do conjunto e matando muitos funcionários do governo federal americano (exatamente às 9h43m). Outra aeronave Boeing 757, que havia decolado do Aeroporto de Newark em Nova Iorque às 8h01m com destino a São Francisco, foi sequestrada e derrubada, às 10h10m, caindo em Shanksville, a 130 quilômetros ao sul de Pittsburgh, na Pensilvânia, com 38 passageiros, 5 tripulantes e 2 pilotos (45 pessoas). No total foram quatro sequestros simultâneos, todos perfeitamente estudados e friamente consumados por terroristas árabes, provavelmente bancados pelo milionário saudita Osama Bin Laden, que hoje vive no Afeganistão e possui uma fortuna pessoal estimada de US$ 300 milhões (R$ 1,1 bilhão se convertido à época).






Pentágono: O avião atingiu a ala sudoeste do edifício e atravessou os anéis E, D e C. Calcula-se que tenham morrido em torno de 130 funcionários do governo americano. O local atingido abriga gabinetes executivos do Exército, além dos escritórios da Secretaria de Guerra. Fica em frente ao heliporto usado por autoridades. Previa-se que o presidente George W. Bush usaria essa instalação ainda naquela manhã, quando retornasse da Flórida. Ou seja, tudo leva a crer que os terroristas possuiam informantes dentro do próprio governo dos Estados Unidos. Um dos pilotos que comandou a destruição possuia dois cursos superiores na Alemanha e teve diversos treinamentos nos Estados Unidos. Daí se pode observar que o plano foi orquestrado friamente e por pessoas de alto gabarito e muita determinação.

O Pentágono foi construído em 1943 - foto (www.portalbrasil.net) O Pentágono em chamas após ser atingido por um Boeing 757 da American Airlines (www.portalbrasil.net) O Pentágono, parcialmente destruído (www.portalbrasil.net)






Inaugurada em 1943, a sede do Departamento de Defesa dos EUA reúne os comandos das Forças Armadas e de 14 agências. O então presidente Franklin Roosevelt juntou ali repartições militares antes espalhadas por 17 edifícios, unificando o trabalho das equipes que traçavam estratégias contra o Eixo. O prédio foi construído em 16 meses com projetos de 1.000 arquitetos e mão-de-obra de 14.000 operários. O Pentágono tem 344.000 metros quadrados e 28 quilômetros de corredores. As edificações internas são dispostas em anéis concêntricos. Cada uma tem cinco andares.







World Trade Center: O complexo de sete torres ocupava 64.750 metros quadrados. Os dois prédios principais tinham 110 andares cada um. A altura do WTC-1 era de 417 metros e a do WTC-2, dois metros menos. As outras torres variavam entre 8 e 47 andares. O conjunto abrigava escritórios de 400 empresas de 25 países e 50.000 pessoas trabalhavam nas torres norte e sul. Havia seis subsolos, com um centro comercial, estacionamento para 2.000 carros, acesso para duas estações de metrô e uma de trens. O conjunto gerava 50 toneladas de lixo por dia e consumia 8,5 milhões de litros de água potável. As máquinas de ar condicionado sugavam 363 000 litros de água por minuto do Rio Hudson e a antena de 110 metros do prédio WTC-1 era usada por dez emissoras de TV de Nova Iorque.

O ataque ao WTC: As torres gêmeas do World Trade Center foram construídas para resistir ao impacto de um Boeing 727. Não caíram quando os aviões entraram pelas janelas, numa manobra que revelou a enorme perícia de quem os pilotava. O modo como os terroristas acertaram os prédios dá indícios de um planejamento milimétrico. Na velocidade máxima, acima dos 800 quilômetros A queda da primeira torre - 11 de Setembro de 2001 (www.portalbrasil.net)por hora, um grande avião empurra tamanha quantidade de ar a sua frente que é virtualmente impossível que acerte um paredão numa colisão frontal. “A turbulência seria tão forte diante da parede que tiraria o Boeing da trajetória”, explica David Barioni Neto, vice-presidente técnico da companhia aérea Gol. Por isso eles voaram mais lentamente — calcula-se que a 450 quilômetros por hora — e optaram pela trajetória curva para chegar ao objetivo. No caso do Pentágono, em que não há imagens do momento do impacto, o problema é parecido. Descer uma aeronave de 115 toneladas numa pista de aeroporto exige combinar velocidade e aerodinâmica com equipamentos de precisão. Pousar sobre um alvo específico é quase uma loteria. Em todos os momentos, os extremistas mostraram o conhecimento de quem passou muito tempo num simulador de vôo, além de prática efetiva. Desligaram, por exemplo, os transponders que emitem sinais eletrônicos sobre a localização das aeronaves. Passaram também a voar em baixa altitude, fora do alcance dos radares. E, pelo menos num caso, foram eles que mandaram os passageiros ligar por celular para avisar do seqüestro. Queriam publicidade máxima de seus atos e agiram como se tivessem antecipado o cenário que construiriam.

Mesmo bastante avariadas, as torres não teriam caído só com os choques dos 767 contra suas estruturas. Cada aeronave colidiu contra as armações de aço e vidro com uma força de impacto equivalente a mais de 1.000 vezes o próprio peso. A maior parte da estrutura dos aviões é de alumínio. Numa batida dessas, seu corpo vai se deformando, franzindo, até transferir sobre a superfície atingida uma força capaz de rasgá-la. Nesse ponto, tudo o que está em seu interior já foi arremessado para a frente como se houvesse uma freada instantânea. Só então o resto da fuselagem penetra na estrutura. Quando isso aconteceu, os prédios tremeram, oscilaram e rangeram, como contam os sobreviventes do atentado terrorista em Nova York, mas se mantiveram de pé. Muita gente que estava nos andares inferiores escapou da morte na hora seguinte. Pessoas que estavam acima do 103º andar no edifício norte, o primeiro a ser acertado, ou do 93º da torre sul não tiveram a mesma chance. Os aviões em chamas praticamente dividiram seus alvos em dois blocos. Tudo o que havia nos pavimentos diretamente atingidos, móveis e pessoas, foi pulverizado pela explosão ou arremessado para fora pelo deslocamento de ar. Quem estava acima do ponto de colisão não tinha chance de passar pela parede de chamas que tomou quase dez andares de cada construção. Todas essas pessoas acabariam morrendo — no fogo, num salto de mais de 300 metros ou no desabamento.

Cai a segunda torre do WTC - 11 de Setembro de 2001 (www.portalbrasil.net) Foram os incêndios, combinados com uma característica tecnológica dos arranha-céus, que os puseram abaixo. No impacto, cada área atingida alcançou imediatamente a temperatura de 450 graus Celsius, o ponto de combustão do querosene de aviação. Cada Boeing levava combustível suficiente para voar por mais 4.000 quilômetros — ou para queimar por algumas horas. Divisórias e móveis de madeira e plástico incendiaram-se também. A temperatura chegou aos 1.000 graus. O aço não se funde nesse ponto, mas perde dureza. Sustentados pelas colunas de aço de sua armação exterior, como gaiolas, os edifícios tiveram várias delas cortadas pelo efeito faca da penetração dos aviões. Depois, chegaram depressa ao ponto de colapso estrutural por causa do peso nas partes superiores aos pontos em que aconteceram os choques. O topo de cada torre sustentava um engenho cuja função era contrabalançar os efeitos do vento. Para garantir a resistência da estrutura a ventanias de até 320 quilômetros por hora, que deslocavam lateralmente a parte mais alta dos edifícios mais de 1 metro, essa placa de aço e concreto, montada sobre roletes, movia-se sempre na direção oposta à inclinação, impedindo que se alterasse o centro de gravidade do conjunto.

Essa plataforma pesava 600 toneladas. Cada laje dos blocos tinha mais 40 toneladas. Havia dezoito lajes acima dos andares avariados na torre sul e oito sobre os que ardiam no outro prédio. Quando o aço começou a se deformar, pelo calor, todo esse volume veio abaixo e funcionou como um martelo — um martelo que ganhava mais peso a cada andar que ia sendo esmagado. Técnicos em edificações supõem que os terroristas imaginaram esse efeito cascata de destruição ao planejar os atentados. “Se tivessem atingido o primeiro terço inferior dos prédios provavelmente eles ainda estariam de pé”, diz o arquiteto paulista Rubens Ascoli Brandão, que defendeu há quatro anos uma tese sobre o World Trade Center. “As colunas externas, que seguram tudo, começam muito grossas embaixo e vão afinando à medida que têm de suportar menos peso.” No ponto em que acertaram, os pilotos conseguiram produzir os piores efeitos. O World Trade Center agüentou os aviões, agüentaria focos de incêndio e até bombas. Mas impacto, chamas e explosões foram agressões demais.

“Na hora da pancada, o chão se mexeu e eu me senti como se estivesse pisando numa gelatina”, recorda o brasileiro Guilherme Castro, de 27 anos, funcionário de uma corretora que ocupava o 25º andar da primeira torre atingida. Na descida, ele encontrou uma escada bloqueada. Voltou e tomou outro caminho. Mais no alto, as torres tinham andares livres — o 44º e o 78º —, com casas de máquinas e grandes vãos horizontais para passagem de vento. Nesses pontos, era difícil encontrar a continuação das escadas. Houve quem morresse por causa disso. Quando Castro finalmente chegou à calçada, ouviu um estrondo ao passar por vítimas que eram socorridas na rua por bombeiros e policiais. Era o avião que atingia a segunda torre. Em seguida, vieram os desabamentos. Uma enorme nuvem de pó rolou sobre as ruas. Ela também penetrou no sistema de metrô da cidade, pelas estações que ficavam embaixo do World Trade Center, e seguiu por quilômetros dentro dos túneis. Os subterrâneos do complexo foram soterrados. “Estávamos bem lá embaixo quando o metrô parou”, recorda Luciana Salles, que ia com o marido, Alexandre, visitar a Estátua da Liberdade. “Um funcionário nos guiou pelos trilhos, no meio da poeira, até uma grade de ventilação. Saímos numa rua repleta de corpos e pedaços de pessoas.”

Era tal a quantidade de pó e fumaça sobre Nova York que o fog pôde ser visto até por astronautas embarcados na Estação Espacial Internacional, que sobrevoava o Estado do Maine na manhã da terça-feira, a mais de 300 quilômetros de altura. O impacto dos Boeing com a estrutura de aço também repercutiu longe. Um deles foi registrado numa estação de sismologia da Universidade Columbia, a 20 quilômetros do centro de Nova York. Na escala que mede terremotos, alcançou 2,4 pontos — um tremor bastante sensível para quem via o horror a partir das ruas. Os prédios foram construídos com fundações que penetram por mais de 20 metros numa camada de rocha abaixo dos seis subsolos. As mortes de quem saltava, transmitidas para todo o planeta, foram vistas ao vivo por mais de 150 milhões de pessoas. Por que eles saltavam? Por que não aguardaram pelo socorro até o último momento? “Porque o suicídio é uma reação-limite mas esperada do ser humano”, diz Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da USP. “Diante da certeza de uma morte lenta e sofrida, as pessoas acabam escolhendo um meio mais rápido.” Um bombeiro que atuou no incêndio do prédio Joelma, em São Paulo, há 27 anos, conta que o calor era tão intenso que a pele de seu rosto, seu pescoço e suas mãos começou a se soltar. No World Trade Center, a temperatura era muito maior. Ainda houve quem esperasse por socorro, nas janelas, e um helicóptero se aproximou da torre norte a ponto de dar às pessoas a esperança de resgate. Minutos depois o outro prédio ruiu, e a operação se revelou impossível.

No final, pessoas de 60 nacionalidades diferentes faleceram no acidente que destruiu o World Trade Center, um complexo de escritórios e empresas multinacionais que abrigava mais de 20.000 pessoas trabalhando no dia a dia. Outras milhares de pessoas visitavam os edifícios, que ainda estavam relativamente vazios, em razão do horário. As nacionalidades das pessoas desaparecidas segundo fontes do Departamento de Estado do governo americano e do Consulado-Geral do Brasil em Nova York são: 3 613 Estados Unidos, 403 Holanda, 250 Índia, 208 Colômbia, 206 Alemanha, 200 Grã-Bretanha, 200 Paquistão, 150 Canadá, 133 Israel, 96 Rússia, 86 Itália, 71 El Salvador, 68 Portugal, 55 Austrália, 55 Bangladesh, 40 Áustria, 34 Irlanda, 34 Equador, 30 Polônia, 30 Coréia do Sul, 25 República Dominicana, 23 Japão, 20 Grécia, 17 México, 10 República Tcheca, 10 Eslováquia, 10 França, 8 Marrocos, 8 Iêmen, 7 Honduras, 7 Jamaica, 7 Taiwan, 6 Argentina, 6 Guatemala, 5 BRASIL, 5 Irã, 4 Bélgica, 4 Belize, 4 China, 4 Trinidad e Tobago, 3 Barbados, 3 Líbano, 3 Panamá, 3 Peru, 3 Venezuela, 2 Jordânia, 1 Bahamas, 1 Chile, 1 Costa Rica, 1 Dinamarca, 1 Egito, 1 Gana, 1 Indonésia, 1 Nova Zelândia, 1 Paraguai, 1 Sri Lanka, 1 Santa Lúcia, 1 Turquia, 1 Ucrânia e 1 Bielo-Rússia.








O antes, o durante e o depois: Os funcionários da corretora Cantor Fitzgerald, na torre norte do World Trade Center, costumavam assumir o posto de trabalho, entre o 101º e o 105º andares, por volta das 7 horas da manhã. Ligados à operação da bolsa de valores, eles adiantavam a programação do dia e estavam com tudo arrumado quando se iniciava o pregão, às 9 e meia. Mais de 700 deles morreram quando os andares foram atingidos em cheio pelo Boeing 767 em 11 de setembro. Nenhum teve o corpo localizado até o fim da semana passada, e provavelmente só alguns dos que foram atirados para fora do prédio no momento da explosão poderão ter os restos mortais entregues à família. Quanto mais os bombeiros e voluntários escavam a cordilheira de entulho das torres do World Trade Center — uma pilha de prejuízos na casa das três dezenas de bilhões de dólares —, mais fica claro que milhares de parentes e amigos não poderão chorar sobre os corpos de seus mortos. Até o fim da semana passada, 60 000 toneladas de aço, vidro e concreto tinham sido tiradas do local. Isso não dá um décimo do volume deixado pelo atentado terrorista. Mas a montanha de destroços já foi vasculhada, num processo que levou a encontrar apenas 241 corpos — com um total de identificados abaixo de duas centenas.

As autoridades registraram 6 300 pessoas desaparecidas. De mais de metade delas já há amostras de DNA enviadas pelos familiares — fios de cabelo, roupas, escova de dentes. Noutros casos, pais e descendentes doaram amostras de material genético para comparação com o de vítimas desfiguradas. Mas só 400 partes de corpos foram encontradas. “São mínimas as possibilidades de ainda haver sobreviventes”, resignou-se na terça-feira o prefeito Rudolph Giuliani. Dos escombros dos prédios, apenas sete vítimas saíram com vida. Dessas, quatro eram bombeiros aprisionados pelo desabamento do primeiro edifício.

Dois outros bombeiros passaram horas perdidos num buraco de 5 metros de profundidade, no qual caíram quando tentavam escalar as ruínas de uma ala do conjunto. Somente uma mulher, Genelle Guzman, de 31 anos, pode ser considerada sobrevivente da catástrofe. Descendo pelas escadas, ela estava no 13º andar quando a estrutura ruiu. Duas grandes placas de concreto acabaram criando uma tenda sobre seu corpo, que a protegeu do esmagamento. Ela foi encontrada 26 horas depois e se tornou a exceção ao destino de quem não conseguiu fugir do local antes do desmoronamento.

Quando vem abaixo uma estrutura de aço e concreto de mais de 400 metros de altura, tudo se mistura na queda. Andares mais altos, construídos com materiais mais leves, podem acabar embaixo das partes mais pesadas, as inferiores. Não há lógica nos escombros. As equipes de resgate utilizam equipamentos e técnicas especiais para examinar os destroços. Com a coordenação de técnicos experimentados no trabalho em áreas atingidas por terremotos e furacões, elas agiram seguindo um manual específico para essas situações. Primeiro, bombeiros encharcaram toda a superfície, para resfriar o material e diminuir a poeira no ar. A água penetra no entulho, ajuda a reduzir focos de incêndio internos e, como já se viu em outros casos, permite que eventuais sobreviventes presos lá dentro tenham chance de se manter hidratados até ser alcançados pelo socorro. Na noite posterior ao atentado, uma chuva forte ajudou nesse trabalho. Os primeiros a entrar na área são especialistas em estruturas, que avaliam o risco de novos desabamentos e providenciam calços e redes para que outros trabalhem com segurança.

No passo seguinte, cães percorrem o terreno, para farejar vítimas soterradas. Quando encontram um morto, deitam-se no local. Se acham alguém vivo, começam a cavar. Cerca de 300 cachorros foram mandados para o WTC. Voluntários organizaram na rua um hospital veterinário para eles. A cada duas horas, os animais têm de parar para lavar os olhos, tomar injeção de antibiótico, fazer curativos em ferimentos provocados por escombros, tratar queimaduras e recuperar o faro. Até eles enfrentam dificuldade para trabalhar entre corpos em decomposição.

Cada pequeno destroço é catado e depositado em baldes. Partes de corpos vão para caminhões frigoríficos e dali para os necrotérios. O prefeito encomendou 30.000 sacos especiais para transportar mortos, membros ou órgãos achados na área. Quase nada ainda foi usado. O entulho segue para um aterro, onde será descarregado diante de outras equipes, que o examinarão novamente. O FBI fica com o que seja supostamente peça de algum dos aviões. Nos restos dos prédios, só então os serralheiros iniciam o corte das vigas e pilares grandes, que são removidos por guindastes que podem erguer um peso equivalente ao de 25 ônibus urbanos. Essa ordem de trabalho evita mais impacto sobre os soterrados, mas no WTC ela pouco ajuda. Os estragos provocados pelo atentado criaram um cenário inédito na história das catástrofes. Ali aconteceram, conjuntamente, uma explosão com o poder de destruição de 100 toneladas de dinamite, um incêndio de graduação comparável à de um forno crematório e o desmoronamento de duas das maiores estruturas verticais fincadas no planeta. Isso acabou pulverizando os restos mortais de centenas das vítimas.







As pessoas que viajavam no avião foram esmagadas na frenagem brusca e desintegradas a seguir na explosão. Quem estava nos andares em que o combustível explodiu sofreu carbonização imediata, caso dos funcionários da corretora Cantor Fitzgerald. Nos andares acima daquele ponto, o incêndio matou também algumas centenas de pessoas. Naquele horário havia cerca de 100 clientes tomando o café da manhã no restaurante Windows on the World, no 107º andar, servidos por aproximadamente setenta empregados da casa. Um pavimento abaixo, um congresso da consultoria financeira inglesa Risk Water reunia oitenta pessoas. Naquele dia, 161 inscritos se atrasaram — e se salvaram. Lá embaixo, a queda de escombros e depois o desabamento completaram o drama. As listas de vítimas mostram que houve menos mortos na torre sul porque, mesmo com seu desabamento ocorrendo primeiro, nesse prédio muita gente teve chance de descer, até pelos elevadores, logo que o edifício ao lado foi acertado pelo avião. A energia elétrica no complexo caiu muito tempo depois do primeiro impacto.





No banco Morgan Stanley, que ocupava 31 andares da torre sul, quarenta dos 3.500 empregados estão desaparecidos. Um chefe de segurança insistente e treinado conseguiu que a imensa maioria iniciasse a descida no momento em que a outra estrutura foi atingida. Queimados, asfixiados ou atingidos pelo desmoronamento, todos os mortos acabaram esmigalhados. Não foram poucos os casos em que corpos irreconhecíveis portavam um celular — e a identificação foi feita com a ajuda de técnicos das companhias telefônicas, que descobriram o número daqueles aparelhos. No mar, à profundidade de 600 metros, a pressão é de 200.000 toneladas — mais que suficiente para fazer sumir um corpo humano. Cada torre do WTC produziu cerca de 400.000 toneladas de entulho. Só de aço, há material suficiente para a construção de duas dezenas de monumentos iguais à Torre Eiffel. Nessas condições, com areia, móveis, papéis, equipamentos, vidro, ferro, tecidos e plásticos misturados, boa parte das vítimas simplesmente desapareceu.






De todos os pontos atingidos nos atentados, a grande esperança de encontrar sobreviventes repousava, num primeiro momento, nos escombros da parte atingida no Pentágono, em Washington, e nos subsolos do World Trade Center. Os dois lugares frustraram as equipes de socorro ainda mais que as torres. No Pentágono, que teve 118 corpos encontrados de um total de 189 desaparecidos na área em que o Boeing caiu, apenas um sobrevivente foi localizado debaixo dos escombros e morreu pouco depois. Ainda não se sabe tudo o que aconteceu nos seis subsolos do complexo WTC. Câmaras especiais mergulhadas entre os detritos amontoados e equipes de prospecção que entraram pelos túneis das duas estações de metrô e do terminal de trens que funcionavam a 26 metros de profundidade já mostraram que essas instalações, embora atingidas pelos escombros, resistiram quase a ponto de poder ser usadas imediatamente. Parte das garagens subterrâneas, sob edifícios que não desabaram, também agüentou, mas lá dentro só se acharam mortos, um deles num carro com os faróis acesos. Construído numa área pantanosa, o WTC tinha fundações impermeabilizadas como uma piscina ao contrário, que impediam a entrada de água. Elas trincaram e teme-se, agora, que a retirada do entulho facilite o rompimento desses diques. A remoção do material que está na superfície deve demorar três semanas. A recuperação da área, pelo menos um ano.

As temperaturas eram altíssimas nos subterrâneos porque os incêndios se mantiveram dentro das pilhas de destroços. Nesses casos, sempre que se perfura um túnel para descer mais alguns metros na escavação, há o risco de levar novas doses de oxigênio para baixo, realimentando as chamas. Foram detalhes como esses que levaram os responsáveis pelo resgate a cortar a presença de voluntários não experientes na área mais atingida. Nos primeiros dias, mais de 10.000 pessoas chegaram a trabalhar nos resgates. Um navio da Marinha americana, o U.S. NS Confort, ancorou perto do local para ajudar a abrigar voluntários. Havia gases tóxicos no ar — o que levou a que se vasculhassem algumas áreas com robôs experimentais cedidos pela Universidade do Sul da Flórida. Os detritos eram tão difíceis de ser escalados que os integrantes das equipes de frente estragavam, cada um, até dois pares de botas por dia. Mas botas, braços, roupas e alimentos não faltaram. As doações de sangue foram interrompidas quando se alcançou a marca de 100.000 litros. Não havia feridos para recebê-los. Registrou-se também a doação de 300 milhões de dólares às famílias das vítimas e para operações de busca. Essa é uma guerra em que os americanos começam respondendo a um atentado com recorde de vítimas também com um recorde de solidariedade.









O Presidente George Bush, fala oficialmente sobre o acidente, numa escola na Flórida, onde ele estava naquele momento (www.portalbrasil.eti.br)A vulnerabilidade e o Islã: Durante a maior parte da terça-feira, 11 de Setembro, os assessores do presidente dos Estados Unidos acharam que ele não deveria retornar a Washington. Era perigoso demais. George W. Bush seria depois criticado por ter ziguezagueado entre bases militares em vez de retomar logo sua cadeira no coração do poder americano, a Casa Branca. O fato é que se temia outro ataque terrorista bem-sucedido, dessa vez à sede da Presidência. As implicações contidas na hesitação de Bush são tremendas. Mostram até que ponto o mundo mudou depois dos ataques às torres do World Trade Center e ao Pentágono. A alteração mais imediata diz respeito ao fim do mito da invulnerabilidade do território americano. O país mais poderoso do mundo viu ícones de sua identidade nacional ser alvejados com desconcertante facilidade. Por volta das 9 horas da manhã, dois aviões de passageiros seqüestrados puseram abaixo as torres gêmeas do World Trade Center, cujo destaque no horizonte de arranha-céus de Nova York simbolizava a supremacia econômica da superpotência. Um terceiro aparelho despencou sobre o Pentágono, sede do poder militar do império, nos arredores de Washington. Um quarto avião tomado por terroristas espatifou-se no solo em campo aberto. “Foi um ato de guerra”, definiu o presidente Bush. Tratou-se, de fato, de uma ofensiva terrorista em larga escala, sem similar na história, com milhares de mortos inocentes. Uma das primeiras coisas que se ouviram foi o clamor por revanche. Os americanos achavam que era preciso dar o troco — mas contra quem? “Não se trata apenas de capturar essas pessoas e fazer com que paguem pelo que fizeram”, disse o subsecretário de Defesa, Paul Wolfowitz. “É preciso também eliminar os santuários, os sistemas de apoio e acabar com os Estados que patrocinam o terrorismo.”







O número oficial de mortos foi superior a 6.000, cinco prédios nova-iorquinos tinham desabado e outros, com estruturas abaladas, ameaçavam vir abaixo. (outros prédios grandes, porém menores também ruiram posteriormente). Dez anos atrás, depois do colapso da União Soviética, o presidente George Bush, pai de George W., anunciou uma nova ordem mundial, cuja base era o triunfo dos valores americanos e da democracia liberal. Parecia que o derradeiro desafio da humanidade era promover o comércio global. Vive-se agora uma realidade muito mais perigosa. A única superpotência tornou-se alvo de fanáticos dispostos a tudo. Como a nação mais poderosa do planeta pode proteger-se das atrocidades terroristas? A questão talvez tenha de ser formulada de outra forma: qual deve ser o papel dos Estados Unidos nessa nova conjuntura? Bush pode decidir mudar sua política de distanciamento em relação às áreas de conflito no exterior. Em vez de tomar decisões unilaterais, como tem feito desde que assumiu, em janeiro, o presidente pode admitir que os Estados Unidos sozinhos são incapazes de garantir a própria segurança. Precisam da ajuda dos outros países democráticos para uma ação conjunta e persistente contra o terrorismo. Ou, ao contrário, talvez a Casa Branca resolva ser ainda mais isolacionista, olhando para o próprio umbigo e tentando manter longe as encrencas do Terceiro Mundo.






Os acontecimentos empurraram o presidente dos EUA para um teste de liderança que raros de seus antecessores enfrentaram. Em editorial, o influente Washington Post diz que mesmo o presidente Roosevelt, depois do ataque japonês em Pearl Harbor, podia ver um inimigo definido com clareza. “A enormidade que confronta Bush exige habilidades difíceis de encontrar em qualquer presidente, ainda mais em um com apenas oito meses de mandato e sete anos de vida pública”, escreveu o jornal. O momento pertence aos guerreiros, reação natural diante da enormidade da agressão. Não é de espantar que, após os atentados, o tom do discurso americano tenha mudado. Desapareceu como por mágica o relativismo cultural e seu corolário, o respeito por aquilo que possa ser considerado politicamente correto. O relativismo cultural, teoria formulada na década de 30 pelo antropólogo americano Melville Jean Herskovitz, preconiza que nenhuma cultura é superior a outra. Que cada uma deve ser entendida dentro de seu próprio contexto e, por isso mesmo, não cabem comparações entre elas. Em 1947, Herskovitz apresentou à Organização das Nações Unidas uma “recomendação” para que fossem respeitadas as culturas dos diferentes povos do mundo.

É dessa perspectiva que alguns estudiosos acham possível justificar, por exemplo, a prática de muçulmanos africanos de extirpar o clitóris das adolescentes. Do relativismo cultural nasceria na década de 80 o discurso politicamente correto, que aboliu do vocabulário palavras e expressões que soam pejorativas a minorias étnicas, homossexuais e portadores de deficiência física. Entre os governos, o politicamente correto baniu de documentos e discursos termos que pudessem soar chauvinistas e prepotentes. Com os atentados, o relativismo sofreu um abalo: por alguns dias, pelo menos, o mundo voltou a ser dividido entre países civilizados e nações bárbaras. E, contra os bárbaros, políticos e analistas pediram “vingança”. Com a autoridade de veterano do Vietnã e da Guerra Fria, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger aconselhou os americanos a cuidar dos feridos e restaurar algum tipo de vida normal, como primeira resposta ao terrorismo. Depois, o governo deve empenhar-se numa resposta persistente para levar à destruição o sistema responsável pelo atentado. “A vitória não virá num único ataque”, afirma Samuel Berger, presidente do Conselho de Segurança Nacional no governo Bill Clinton. “É preciso desencadear uma guerra fria ao terror.”








Os americanos gastam 30 bilhões de dólares por ano em inteligência, e só a CIA, o serviço de espionagem, tem 2.000 agentes no exterior. O sistema caríssimo de vigilância eletrônica por satélites é capaz de fazer fotos tão detalhadas que se podem identificar pontas de cigarros jogadas fora pelos guerrilheiros no Afeganistão. A rede de vigilância envolve ainda aviões, navios e 5.000 pontos de captação de informações no mundo inteiro. A tecnologia empregada permite rastrear uma ligação de celular em qualquer lugar. Como nada disso funcionou? Nenhum dos treze órgãos encarregados de monitorar, receber e analisar todo tipo de informações relacionadas à segurança conseguiu evitar a entrada no país e a comunicação entre os terroristas. Não espanta tanto o frágil sistema de segurança nos congestionadíssimos aeroportos americanos. Mais difícil de explicar é como são tão desprotegidas até mesmo as instalações militares e a sede do governo em Washington. A hesitação em voltar a Washington pode ter valido pontos negativos na popularidade do presidente Bush, mas tinha fundamentos mais fortes. Como se saberia depois, a Casa Branca e o avião presidencial, o Air Force One, estavam entre os alvos dos terroristas.

Parte dos problemas em evitar os ataques decorre do caráter especial do terrorismo islâmico. Os espiões americanos têm dificuldade em infiltrar os grupos, pois não são bem-vindos nem podem contar com a colaboração das autoridades na maioria dos países muçulmanos. Mas operações de grande porte deixam pistas bem concretas. Para um homem-bomba na Palestina basta enrolar explosivos em torno da cintura e procurar vítimas indefesas entre os israelenses. Um ataque como o da semana passada exige planejamento sistemático, boa organização, bases de apoio e algum dinheiro. Não é possível improvisar numa operação dessa magnitude. O FBI acredita que cada avião foi tomado por um grupo de quatro ou cinco homens. Outra meia centena de conspiradores fez o trabalho de retaguarda. Por que os americanos, tão bem equipados tecnologicamente, tão armados de sistemas de segurança, não tomaram conhecimento de um movimento sequer desses criminosos? A última vez que os Estados Unidos testemunharam um ataque terrorista de grandes proporções foi em 1995, na cidade de Oklahoma, com 168 mortos. Foram rápidos em acusar fanáticos muçulmanos. Logo descobriram que o culpado era um fanático doméstico, Timothy McVeigh. Réu confesso, foi executado em junho. A comunidade árabe nos Estados Unidos costuma usar o episódio como comprovação de preconceito e discriminação.







Há mais de 1 bilhão de muçulmanos espalhados por quase todos os países. Na maioria, são moderados. A minoria radical, no entanto, tem uma disposição fanática para matar e morrer e se une num ódio incontrolável contra os Estados Unidos, em sua opinião um país satânico. Em sua visão, atacar o demônio americano garante ao fiel um lugar de honra no paraíso. Como se pode lidar com terroristas cujo objetivo é retornar ao século VIII? Eles não fazem exigências, não pedem dinheiro para libertar reféns. Só querem ver sangue. Os Estados Unidos tinham passado praticamente incólumes ao terrorismo. Há décadas a Europa e o Oriente Médio sofrem com bombas e tiroteios de várias maneiras. Só nos anos 90 houve os primeiros atentados, mas todos de pequena monta. O mais sério foi perpetrado exatamente contra o World Trade Center, em 1993. Um grupo de egípcios, paquistaneses e palestinos colocou um carro-bomba no subsolo de uma das torres gêmeas, matando seis pessoas. O objetivo era convencer os Estados Unidos de que estavam em guerra com o Islã. É espantoso que, apesar disso, a maioria dos americanos se acreditava livre dos horrores vistos em outros países pela televisão. Os planos de contingência previam ataques com armas biológicas ou químicas — ninguém imaginou seqüestradores armados com facas em aviões comerciais.

Apesar dos prognósticos de que os Estados Unidos podem tornar-se menos cordiais em suas relações internacionais, o mundo tende a se transformar em um só. Também nesse aspecto há mudanças em curso. A oposição à globalização já existia como fenômeno ambientalista, de minorias, das ONGs e dos sindicatos. Agora também deve levar em conta essa nova complicação: o Islã como fonte de preocupação para a paz mundial. A globalização incomoda a turma do turbante pela modernidade que traz no bojo. O fundamentalismo islâmico é, em boa medida, a manifestação de uma elite que exerce sobre seus povos uma tirania milenar, baseada na religião e nos costumes imutáveis. Se é contra a civilização ocidental é porque não pode conviver com seus princípios básicos, notadamente a liberdade política e individual. O universo dos fundamentalistas é aquele em que se queimam livros, se proíbem filmes e música. As mulheres são cobertas de véus e devem submissão ao poder masculino. Os fundamentalistas usam Deus como desculpa para todas as coisas — inclusive as mais terríveis atrocidades, como as cometidas em Nova York e Washington. Os aviões não foram jogados contra prédios, mas contra um sistema de vida. Esta guerra está apenas começando.

Maomé e religião: Primeiro é preciso considerar que o Islã é o segundo maior grupo religioso do planeta. A grande maioria dos muçulmanos está na Ásia e na África, mas entre os americanos eles já são quase 7 milhões — e o número de adesões é crescente. Depois, é preciso admitir que os muçulmanos ocupam países paupérrimos, como o Sudão, mas também controlam áreas que são grandes produtoras de petróleo. E, finalmente, deve-se levar em conta que, embora os islamitas em sua maioria sejam pessoas pacíficas e generosas, há um grupo radical e violento cuja influência entre os seguidores de Maomé vem se tornando mais importante a cada ano. E que esse grupo foi capaz de explodir o World Trade Center, ícone do capitalismo, matando mais de 6 000 pessoas.

As faces do Islã são tão diversas como os países nos quais se estabeleceu. Mas de maneira geral os muçulmanos formam um povo profundamente religioso. Seguem os mandamentos de Maomé, o profeta que nasceu em 570, em Meca, na Arábia Saudita. Maomé viveu os primeiros cinco anos da infância no deserto. Depois, foi ser pastor de carneiros e, quando completou 20 anos de idade, trabalhou como caravaneiro de uma viúva rica, Khadidja. Ela era dez anos mais velha que ele. Os dois se casaram, tiveram uma filha e, por volta do ano 612, Maomé começou a ter visões. Ele criou então uma religião que absorveu toda a tradição judaica e cristã. Dizia que Abraão, Moisés e Jesus eram profetas de uma mesma linhagem.

Ele próprio era o último e o mais importante dos profetas de Alá. Seus ensinamentos, portanto, eram os que deveriam ser seguidos. E todo muçulmano teria como missão espalhar a fé islâmica pelo planeta. Nos ensinamentos de Maomé há preceitos religiosos, regras para a organização do Estado, instruções para o relacionamento entre pessoas e até normas para o dia-a-dia do tipo: as pessoas devem cortar as unhas começando pelo dedo mínimo da mão direita e terminando no polegar. Segundo sua doutrina, todo muçulmano nasce puro, e ganha o reino dos céus se cumpre com suas obrigações, todas muito bem definidas. Os cinco pilares da religião islâmica são:

• a propagação da crença num deus único;
• a oração, que deve ser feita cinco vezes ao dia;
• o jejum durante o mês do Ramadã (em que o Corão foi revelado a Maomé);
• o zakat, doação anual que todos estão obrigados a fazer ao governo para redistribuição posterior;
• a peregrinação anual a Meca.





O problema está justamente no primeiro dos itens acima. Segundo o Corão, os crentes devem defender sua fé, divulgá-la e lutar pela justiça e pelo bem. Ocorre que, há cerca de três décadas, vem crescendo o número de grupos que interpretam o texto sagrado de forma radical e pegam em armas para impor a fé islâmica. Hoje, todo o governo secular muçulmano enfrenta o desafio desses grupos radicais. Eles reclamam não apenas que os líderes políticos abandonaram a lei do Corão, mas que fizeram isso sem resolver os problemas crônicos de desemprego, corrupção e desesperança que afligem seus povos. Os americanos são odiados e atacados por seu apoio a Israel, a governos ditatoriais, como o do xá Reza Pahlevi, do Irã (deposto em 1979), por manterem tropas no território santificado da Arábia Saudita, berço do islamismo, e por serem o símbolo do capitalismo, que os mais conservadores consideram uma ameaça.

A tradução da palavra Islã é “rendição” — rendição dos infiéis à doutrina de Maomé. Os muçulmanos comuns, quando morrem, ficam numa espécie de estágio intermediário aguardando o juízo final, quando será decidido se irão para o céu ou para o inferno. Mas a fé islâmica reverencia os mártires da luta religiosa, que vão diretamente para o céu, sem escalas — e o céu dos muçulmanos é maravilhoso. Na descrição do texto sagrado, ele tem leitos incrustados com ouro e pedras preciosas, onde os homens são servidos de frutas e bebidas de sua predileção por jovens que fazem sexo, mas permanecem sempre virgens. Cada homem tem direito a 100 virgens.







Mulher, no universo muçulmano, é um ser especial. Tem de vestir uma bata longa que esconda as formas do corpo e cubra o cabelo. Em países mais tradicionais, mulheres que deixam o lenço escorregar em local público são chicoteadas. Elas sofrem ainda outras restrições no Islã. Não podem estudar, trabalhar, discutir com seus maridos — aliás, é permitido a eles bater nas esposas. E, se ficam viúvas ou órfãs, não têm direito a herança. Essas são normas que vêm do século VII. Ainda valem em muitas regiões porque o Corão é tido, entre os islamitas, como uma versão concreta do sagrado. Conforme a crença muçulmana, o Corão já existia, no céu, antes que Maomé pusesse as palavras no papel. É, portanto, intocável. No capítulo que trata das obrigações missionárias do povo, o Corão esclarece: “Não há compulsão no Islã”. Os povos não podem ser convertidos pela força. Mas a força pode e deve ser usada para banir a hostilidade ao islamismo. O texto sagrado, está-se vendo, autoriza a guerra contra os inimigos do povo muçulmano. E ainda ensina: “Quando empreendida, a luta deve ser levada a cabo com vigor”.

A história do Islã tem catorze séculos. Durante oito deles, os muçulmanos dominaram um terço do mundo conhecido. Invadiram grande parte da Europa e a Pérsia, chegaram à Indonésia. Naquela época, eles formavam um povo ilustrado que impunha sua cultura em ambientes medievais decadentes. Foi um tempo de glória. A força dos radicais muçulmanos, atualmente, está no apelo que fazem à memória dos tempos de prestígio de seu povo. E a uma interpretação meio enviesada do Corão. Em sua versão, o suicídio no campo de batalha é uma das espécies de martírio, em favor da fé, premiadas com as delícias do céu.

O terrorismo: Terroristas são como baratas. Para cada uma avistada, há centenas de outras escondidas. Os agentes do FBI que investigam os atentados a Nova York e Washington começavam, na semana passada, a descer aos ninhos do terrorismo islâmico. Até onde puderam sondar não há ainda um fundo ao alcance da vista. A rede do terror parece ter seu epicentro na paisagem lunar e estéril do Afeganistão. Mas a raiz do mal se nutre de apoio logístico direto dos órgãos de segurança de um grupo de países dominados pelo islamismo, como o Iraque, o Iêmen e a Argélia. O terror conta com a neutralidade e até a simpatia de líderes e instituições religiosas de dezenas de nações de população muçulmana, como o Egito e o Sudão. De um outro grupo de países os terroristas recebem ajuda financeira. Alguns estão tão distantes dos conflitos que chega a ser estranho ver seus nomes na lista dos lugares que os investigadores acham que vale a pena manter sob vigilância. É o caso do Paraguai — e, naturalmente, dos próprios Estados Unidos.

“Agora mesmo, entre nós, estão circulando livremente pessoas diretamente relacionadas com o atentado”, disse John Ashcroft, secretário de Justiça dos Estados Unidos. Os agentes do FBI reunidos sob a sigla PENTTBOM, que identifica os dois alvos dos terroristas, o Pentágono e as torres gêmeas de Nova York, mantinham sob custódia na semana passada duas dezenas de pessoas que podem ter alguma relação com os atentados.

Quatro delas foram declaradas suspeitas de ter dado auxílio material aos terroristas. Uma foi detida, pois se acredita que tenha sido testemunha dos preparativos dos ataques. O principal suspeito de ter ajudado os terroristas é Albader Alhazmi, um pacato radiologista que há alguns anos pratica sua especialidade em San Antonio, no Texas. Outros presos são imigrantes árabes que, detidos por portar documentos falsos na semana passada, mentiram sobre o país de origem. Passaram a ser considerados suspeitos. Desconfiar de estrangeiros é um pesadelo para a democracia americana, cujo vigor se mantém justamente por atrair imigrantes de todas as partes do mundo, num ritmo que nenhum outro país consegue, nem quer, igualar. “Estamos em guerra em casa contra um inimigo dissimulado que vive entre nós com um estilo de vida absolutamente normal”, afirmou Ashcroft. “Fora de casa há uma rede organizada que ampara e incentiva os criminosos. Nosso objetivo é descobrir e desmantelar essas conexões.”






O governo Bush vai pedir ao Congresso, que os cidadãos americanos sejam submetidos, pela primeira vez em sua história, a uma lei marcial. “A lei antiterror diminui a liberdade de todas as pessoas deste país”, lamentou o senador Patrick Leahy, um democrata que chegou a esboçar um decreto alternativo, menos invasivo que o da administração Bush. Algumas liberdades sagradas dos americanos serão tocadas. Entre elas, a que proíbe o governo de bisbilhotar a vida econômica dos cidadãos. Pela nova Lei, o FBI ganha o direito de, sem ordem judicial, requisitar número e faturas de cartão de crédito de suspeitos de ajudar terroristas. A nova lei vai triplicar o número de guardas de fronteira e ordenar que cada vôo só saia do chão com um guarda armado em trajes civis.

Guerra - Os Estados Unidos se prepararam friamente para responder ao ataque terrorista e, iniciou no mês de Outubro, um maciço ataque por terra, mar e ar, contra os terroristas, bombardeando instalações militares, aeroportos e pontos de apoios dos muçulmanos, no Afeganistão. A Inglaterra inicialmente e, posteriormente o França, Canadá, Austrália e Alemanha, com apoio da ONU e OTAN, caçam a todo custo o terrorista e milionário saudita Osama Bin Laden, que foi o cabeça e o mentor principal do atentado contra os Estados Unidos e tentam destruir o Taliban, que apoia Bin Laden e são considerados os executores do plano. É uma guerra onde muitos morrerão e com um final ainda imprevisível. O Taliban e os terroristas se defendem como podem, civis estão sendo mortos e ataques químicos e biológicos como o da bactéria Antraz começam a desencadear mortes também nos Estados Unidos, que estão em estado de alerta máximo.

Fontes: Revistas Veja e Isto É, CNN, Internet, Informes oficiais e editorial do Portal Brasil®.

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